<strong>Borgonha:</strong>conhecendo suas apelações alternativas.
Borgonha:conhecendo suas apelações alternativas.

Mercurey

Estudar a Borgonha é fascinante, essa região se tornou mítica, tanto que é apelidada de “Terra Santa” por muitos dos apaixonados por vinho. É impressionante como uma região consegue criar uma aura quase religiosa sobre ela. Quando nós da Cellar viajamos pra lá e buscamos novos produtores tentamos captar toda essa energia que a Borgonha emana e achar os produtores mais ligados com a terra e com a história local.

 

Com todos esse misticismo e se tratando de uma região relativamente pequena, que é dividida numa colcha de retalhos de vinhedos e produtores muitas vezes tão pequenos que é difícil encontrar uma garrafa no mercado, ela também enfrenta um desafio de “demanda e oferta”. Isso cria uma dificuldade de alocação e consequentemente de preço de muitos vinhos, por isso a curadoria é fundamental, justamente para achar produtores que entregam essa tão aclamada qualidade.

 

 

Sem dúvidas a Côte d’Or é o local de maior prestígio e concentra quase toda a demanda e os holofotes, mas mesmo por ali ainda conseguimos achar alguns cantinhos com produtores de excelência. Quando buscamos alternativas aos villages mais clássicos encontramos nas mãos de produtores incríveis ótimas expressões da Borgonha em Marsannay, com Jean Fournier e em Ladoix, com Celine Perrin. Aliás, Ladoix é uma vila com uma localização incrível onde a maior parte dos seus vinhedos estão localizados na sequência da colina do Grand Cru de Corton, se beneficiando de altitude e exposição solar ideal. Os dois Lieu-dit, “Les Briquottes” e “Sur Les Vris” e os dois Premier Cru, “Les Gréchons” e “Les Joyeuses” tem exatamente essas características e surpreendem pela qualidade alcançada.

 

Saindo da Côte d’Or temos de Norte a Sul regiões tradicionais que estão ascendendo nas mãos de ótimos produtores. Ao lado da famosa Chablis fica a Côtes d’Auxerre que compartilha com a vizinha um clima mais fresco e solos com porções do calcário Kimmeridgian aportando vivacidade e acidez aos vinhos locais. Um ótimo exemplo é o Domaine d’Edouard, um novo produtor que já está elevando o terroir da região com vinhos cheios de caráter e textura, como o Chardonnay e o Aligoté Côtes d’Auxerre e os seus Crémant de Bourgogne.

 

Já ao Sul da Côte de Beaune duas grandes regiões estão se tornando um verdadeiro paraíso para produtores tradicionais e meticulosos, a Côte Chalonnaise e o Mâconnais sempre foram conhecidos por terem um estilo mais fácil de beber e um local para se achar barganhas, porém sem rivalizar com a complexidade e finesse dos vinhos mais ao Norte. Mas, em Mercurey, situada no coração da região num terroir protegido pelas suas colinas, temos o Domaine Raquillet, considerado por alguns a maior estrela da Côte Chalonnaise, propriedade familiar desde o Século XVII e proprietário de vinhas velhas em vinhedos nas melhores encostas locais produz vinhos com baixo rendimento e atenção especial a cada detalhe para extrair o máximo de estrutura e complexidade rivalizando com qualquer vinho da Borgonha, destaque para seu Vieilles Vignes Rouge e seu Premier Cru “Les Velleys”, um Chardonnay estruturado e longevo.

 

 

Finalizamos nosso tour pela Borgonha “alternativa” no Mâconnais, região com um estilo mais sulista, mas que está nos holofotes por ter a sub-região de Pouilly-Fuissé reconhecida com mais de 20 novos Premier Crus. A região é linda com uma geografia acidentada e diversas colinas viradas ao sul e leste com solos antigos e muito variados onde a Chardonnay reina e se expressa com muita intensidade. De Pouilly-Fuissé temos um branco elegante e complexo, o “Clos Varambon” do Château de Rontets. Na vizinha Pouilly-Loché, uma pequena vila que possui alguns vinhedos incríveis que representam a quintessência da Chardonnay no seu estilo com finesse, energia e intensidade, trazemos pro Brasil o principal produtor local que possui vinhedos nos mais reconhecidos lieu-dits como Les Mûres, Les Quatre Saisons, En Chantone e o incrível monopólio que dá nome ao Domaine, Clos de Rocs. São vinhos que impressionam por expressar cada detalhe do seu terroir de forma única e são Chardonnays que todo apaixonado por essa variedade deve provar!

 

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